O lado artístico

Vivia-se assim sem maiores preocupações. Bons programas de televisão. Ótimos filmes nos cinemas. Música popular brasileira de boa qualidade. Solidariedade entre a população. Namoros, bailes, bons jogos de futebol ( sou torcedor da Associação Portuguesa de Desportos, onde fui Vice-Presidente de Cultura de 1993 a 1995 e hoje Conselheiro Vitalício). Joguei futebol na várzea, na meia direita  Uma tarde, meio chuvosa de Domingo, estava eu a procura de um daqueles bailinhos pró-formatura que aconteciam no bairro, quando, na rua Antonio de Barros, esquina com a rua Honório Maia, no Tatuapé, ouvi o som de instrumentos musicais vindo de um salão que ficava por cima de uma padaria. Subi as escadas e deparei-me com um grupo de músicos afinando os seus instrumentos, informando-me eles que logo iria se iniciar o baile do clube. Disseram-me, também, que toda as sextas-feiras aconteciam os shows, podendo se inscrever para cantar, declamar, etc. quem se julgasse capaz disso. Assim, na Sexta-feira seguinte lá estava eu, com uma música pronta para mostrar minhas habilidades com o canto. A música escolhida foi “Ave Maria dos Namorados”, sucesso na época. Foi um fracasso. Desafinei, esqueci a letra...horrível!! Afirmei que jamais voltaria a pisar em um palco. Contudo, incentivado pelo diretor artístico desse clube lá fui comparecendo todas as sextas-feiras. Fui ganhando confiança, cantando melhor, até que já vinha sendo uma das atrações daqueles shows. Uma noite, ia ser apresentada uma peça teatral. Faltou um ator e lá fui eu cobrir essa ausência, assim, sem decorar, sem saber quase nada do personagem. Ocorre, que existia o ponto para assoprar as falas dos atores. Marcação quase não existia. A coisa  até que foi bem.. Aí, então, percebi que era o teatro que realmente queria fazer. Meses depois já estava sendo convidado para dirigir uma peça para o Grêmio Estudantil Duarte de Barros. O nome da peça? “Honrarás Tua Mãe”, um dramalhão do tipo mexicano. Embora levado à cena de uma maneira primária, com atores iniciantes, aquele “microbiozinho” ingressou na corrente sangüínea de todos nós. A partir daí foram seqüências e seqüências de peças em que atuei como ator e como diretor cênico.